# A Ma'asseh Merkavah

A técnica de meditação, chamada no judaísmo de 'Merkavah', diz respeito ao desenvolvimento da carruagem de fogo que nos envolve e que é imperceptível aos olhos nus. A respiração rítmica, seguindo os números sagrados que estão representados nas moções dos planetas, 6 - 12 - 24, os quais números nos remetem segundo a geometria hebraica às raízes:

$$
6 + 12 + 24 = 42 = 6
$$

O número 6 representa os dias de trabalho, e o sétimo dia o de *descanso*, o Shabbat. Sendo assim, o número 6, devemos nos lembrar, está associado ao *Hexagrama,* o símbolo final de ascenção *e* crescimento espiritual do homem.&#x20;

<figure><img src="https://2379976245-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-x-prod.appspot.com/o/spaces%2FBKauizbJ90MTzuGgQphf%2Fuploads%2FIWadkxxT5rpppwCKdKxA%2FR%20(4).jpeg?alt=media&#x26;token=63e4f4b3-5f58-411f-9f41-b11acae5abbd" alt=""><figcaption><p>O hexagrama é a representação do homem associado ao arquétipo, deixando o éctipo, o pentagrama, a fase inicial.</p></figcaption></figure>

$$
6 + 12  (18 + 24) = 756 = 9
$$

9 possui raiz quadrada de 3 é múltiplo de 12, pois 12/3 = 4 (o triângulo e o quadrado)

Assim elabora Gershom Scholem, na sua obra "A Cabala", na página 35, e diz:

> "O conteúdo poético da literatura da *ma'asseh merkavah e da ma'asseh bereshit* é impressionante; já mencionamos os hinos cantados pelo chaiot e pelos anjos ministrados em louvor ao seu Criador. Seguindo o padrão de diversos Salmos., desenvolveu-se a opinião de que a totalidade da criação, segundo sua natureza e sua ordem, cantava hinos de louvor. Uma hinologia foi estabelecida nas várias versões do *Perek Shirak*, que sem dúvida deriva dos círculos místicos do período talmúdico. Conectada a esse elemento poético está a influência que os místicos da Merkavah tiveram no desenvolvimento de porções específicas da ordem das orações, particularmente na *Kedushah* matinal, e, mais tarde, nos *piutim* que foram escritos para essas porções (*siluk, ofan, kedushah).*&#x20;

{% hint style="info" %}
Perek Shira (hebraico פרק שירה, lit. "Capítulo da Canção") é um antigo texto judaico. Existem várias versões, algumas associadas à tradição asquenazita, outras aos sefarditas e outras à tradição dos judeus mizrahi.
{% endhint %}

<figure><img src="https://2379976245-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-x-prod.appspot.com/o/spaces%2FBKauizbJ90MTzuGgQphf%2Fuploads%2FOY2mKMzsd9PIrZfTz8B3%2FDedupmrg440873967_IE35607189_FL35607283.jpg?alt=media&#x26;token=a5c53533-8c6b-43b6-9e5b-c9a4a930ff46" alt=""><figcaption><p>O texto das canções mostra a geometria por trás da verdadeira música sacra judaica. </p></figcaption></figure>

O uso de Perek Shira costumava ser predominante na liturgia diária e o filósofo medieval Joseph Albo escreveu que quem recita Perek Shira tem um lugar garantido no Mundo Vindouro.

As frequências reveladas no pentagrama dessas notas divinas revelam uma exuberante beleza e harmonia celestial, e são capazes de "alinhar as nossa sefirot".&#x20;

Observe que, o ritmo numérico e frequencial é altamente importante para o real entendimento da potencialidade divina, revelada, primeiro no pentagrama e depois no hexagrama.&#x20;

Essas formas geométricas são na realidade níveis de acensão, ocultas na fisiologia de cada um de nós.&#x20;

Gérard Encausse (Papus), nos revela algo mais sobre o pentagrama como representação geométrica do homem em franco desenvolvimento, vejamos:

&#x20;

> O Pentagrama, ou estrela de cinco pontas, a flamejante estrela dos maçons, é outro pentáculo e um dos mais completos que se pode imaginar. Seus significados são muitos, mas todos revertem à ideia primordial da aliança do quartenário com a Unidade. Acima de tudo, essa figura simboliza o homem, e é com base nessa interpretação que a estudaremos. O ponto superior representa a cabeça. Os outros quatros pontos representam os menbros do homem. Também podemos considerar o pentáculo como símbolo dos cinco sentidos, mas esse significado excessivamente posotivista não deve nos deter."&#x20;
>
> *Tratado Elementar das Ciências Ocultas, p. 138.*

<figure><img src="https://2379976245-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-x-prod.appspot.com/o/spaces%2FBKauizbJ90MTzuGgQphf%2Fuploads%2FARr9G2hblGYHQJEJQCJa%2FOIP%20(3).jpeg?alt=media&#x26;token=42786b8b-7e4e-41f1-acc0-9deec76ea29c" alt=""><figcaption><p>O Pentagrama é o homem desenvolvendo sua verdadeira potencialidade. </p></figcaption></figure>

{% hint style="info" %}
Assim que aprendemos a entender o vocabulário, encontramos muitas referências na literatura à meditação bíblica, e há duzentos anos a encontramos discutida em detalhes. Uma razão pela qual isso não é geralmente reconhecido é porque toda essa literatura está em hebraico e, como a meditação não é mais praticada nos círculos judaicos, o significado do vocabulário associado a ela foi esquecido.&#x20;

Meditation in the Bible, Aryeh Kaplan, p. 61.

{% endhint %}

<figure><img src="https://2379976245-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-x-prod.appspot.com/o/spaces%2FBKauizbJ90MTzuGgQphf%2Fuploads%2F1ouo5MxqM5DdTSFgD6ll%2FScreenshot%202024-01-13%20171430.png?alt=media&#x26;token=f4e3e146-4a81-4eaf-8593-42bc2e960c5b" alt=""><figcaption><p>A meditação Merkavah está envolta em meio à linguagem midráshica no texto da Tanakh.</p></figcaption></figure>

<figure><img src="https://2379976245-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-x-prod.appspot.com/o/spaces%2FBKauizbJ90MTzuGgQphf%2Fuploads%2FtA2tkPPX8pDhC13z6FsK%2FScreenshot%202024-01-27%20105420.png?alt=media&#x26;token=c82873f1-d7d2-4c90-a429-ea709de82a5d" alt=""><figcaption><p>La-Suach, etimologia perdida de nosso verbo "suar", ou seja, uma purificação também conhecida pelos gregos com 'katharsis'.</p></figcaption></figure>

### O Mito da Caverna de Platão - Uma Analogia

A alegoria da caverna, também conhecida como parábola da caverna, mito da caverna ou prisioneiros da caverna, foi escrita pelo filósofo grego Platão e é uma alegação de intenção filosófica e pedagógica. Encontrado na obra A República (Livro VII), o filósofo tenta ilustrar como a *<mark style="color:blue;">luz da verdade pode ajudar as pessoas a se libertar da escuridão</mark>* que as aprisiona. Na obra, ele discute teoria do conhecimento, linguagem, educação e um estado hipotético.

<figure><img src="https://2379976245-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-x-prod.appspot.com/o/spaces%2FBKauizbJ90MTzuGgQphf%2Fuploads%2FG7nYnCr0jkDezz2mshxI%2F800px-Plato&#x27;s_allegory_of_the_cave.jpg?alt=media&#x26;token=46fbeb3e-771e-4092-82a6-09d918a4b2ef" alt=""><figcaption><p>Segundo a Philosophia Naturalis, até crescermos, somos capazes de ver apenas reflexos da realidade. </p></figcaption></figure>

### A Escola dos Profetas

O Aryeh Kaplan nos diz algo importante sobre a escola dos profetas

> <mark style="color:yellow;">**E cinquenta homens dos filhos dos profetas foram, e ficaram de longe: e os dois ficaram ao lado do Jordão. (2 Reis 2:7)**</mark>

A escola dos profetas do passado pode ter, sim, influenciado a Abraham Abulafia a criar a Merkavah dos profetas através da meditação.&#x20;

> Já vimos que a meditação foi muito importante na carreira dos profetas. Uma vez que esse fato não é muito bem reconhecido, no entanto, seria útil olhar para uma série de fontes clássicas que falam disso explicitamente. Como veremos, um bom número dos mais influentes filósofos e cabalistas judaicos clássicos afirmou claramente que a meditação era a mais importante de todas as disciplinas necessárias para alcançar a iluminação e a profecia.
>
> Kaplan, Aryeh. A meditação e a Bíblia (p. 87)

> A natureza da Cabala é uma questão de disputa entre os estudiosos. Focando seus atenção na cabala teosófico-teúrgica, um tipo proeminentemente espanhol de Cabala, alguns estudiosos modernos têm apontado a natureza "casuística" da Cabala como um todo. Eu Parte dessa avaliação tem a ver com a marginalização da Cabalá de Abulafia na erudição após meados da década de 950, apesar de Gershom A caracterização de Scholem da Cabalá extática como uma grande tendência! (Abulafia e a Kabbalah Ecstática, p. 13)

"Quem de vós teme a Deus, obedecendo à voz dos Seus servos? Tal homem anda nas trevas sem luz, confia no Senhor e depende do seu Deus" (Isaías 50:10).

Kaplan, Aryeh. A meditação e a Bíblia (p. 9). Roda Vermelha Weiser.
